domingo, 21 de novembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Memorial Descritivo - Exposição de Arte

Começamos a planejar o projeto do que faríamos a três semanas do evento. Nos encontros presenciais surgiu a idéia de se fazer uma exposição com todos os trabalhos da disciplina, e não apenas com o videoarte. Todos gostaram da idéia e concordaram em fazer uma exposição com quatro ambientes: Imagens Televisivas, Fotonovela, Arte Postal e Videoarte. Foram divididos grupos, e cada grupo ficou responsável pela apresentação de cada tema.
Eu fiquei responsável por criar os escritos que colocamos nos convites, e a Nathália fez a arte do convite. Ambas divulgamos o evento por e-mail e sites de relacionamento. Fiquei também na estação de arte postal, assim coube a nós de arte postal levar papel, revistas, cola, tesoura, envelopes, selos, imagens impressas, adesivos; levamos também vários postais que fizemos, os que recebemos e imagens que imprimimos de trabalhos de artistas de arte postal. Fizemos também um texto introdutório para os visitantes saberem um pouco sobre a arte postal. 
Fomos ao pólo e montamos a exposição em três painéis, cobrimos o primeiro com imagens dos artistas de arte postal. Em seguida, no painel do meio colocamos vários envelopes dos postais que recebemos, juntamente com a introdução do trabalho falando sobre arte postal. O ultimo painel foi coberto de imagens que os alunos fizeram, enviaram e receberam.
O evento se realizou no dia 02 de outubro de 2010 no Pólo Chopin Tavares de Lima, na cidade de Itapetininga, tendo inicio as 10h da manha.
Os grupos responsáveis pela telenovela, fizeram a apresentação dos trabalhos pendurados em fios de náilon, o que não dava para ver o fio, ficou um visual muito interessante, dando a impressão de que os papeis da telenovela estavam suspensos no ar. A exibição das imagens televisivas em círculos de monitores no chão foi muito interessante, dando um visual questionativo, que em minha opinião liga-se a intenção da exposição e da disciplina de alertar e questionar as imagens impostas a sociedade pela mídia.  A exibição dos videoartes na parede em tamanho grande foi sensacional, muito legal poder ver nosso trabalho exposto para pessoas apreciarem; é muito gratificante ver o interesse do publico em seu trabalho.
O grupo de arte postal realizou a exposição e uma oficina de arte postal, permitindo ao visitante vivenciar um pouco da pratica dessa expressão artística. Foi muito bom ver o publico participando da oficina, criando, descontraindo sob nosso incentivo! Foi maravilhoso. Uma experiência muito positiva, onde houve grande interação entre a arte e a comunidade.


Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues


Exposição realizada pelos alunos de Tecnologias Contemporâneas na Escola 3 - Artes Visuais - UnB. 2010.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

Memorial descritivo - Vídeo-art Turbilhão de Sensações

Para fazer o videoarte “Turbilhão de Sensações” o grupo necessitou de quatro encontros e vários dias de diálogos pela internet.
Reunimos-nos primeiramente para debater sobre qual seria o tema abordado em nosso vídeoarte. Depois de várias idéias diferentes, pensamos na qual seria mais viável a desenvolver. A tutora nos ajudou e nos esclareceu algumas duvidas em que consiste um vídeo arte. O texto da disciplina também foi de grande ajuda.
Concordamos em trabalhar com estampas, imagens de roupas em movimento, mostrando o turbilhão de sensações provocadas pelas cores, representando as mudanças de humor, de idéia, de comportamento, de estado de espírito e as tantas outras mudanças que existem nos caminhos da vida.
Os experimentos de vídeo foram muito inspiradores e serviram para termos o primeiro contato com edição de vídeo, os pontos a serem explorados e o visual das imagens capturadas. A idéia de filmar as estampas foi tomando forma com o experimento microuniverso.  
A principio fizemos um vídeo mostrando imagens de algumas roupas, estampas, acompanhado do som de uma poesia falada. As imagens representando de maneira lúdica o que estava sendo falado na poesia. A tutora nos alertou que este não era o intuito do trabalho e nosso vídeo tinha ficado mais como uma apresentação de slides ou um videoclipe.
Reunimos-nos novamente, selecionamos as estampas a serem utilizadas e as espalhamos pelo chão, como se fossem cada uma parte de um quebra cabeças, ficando uma um pouco por cima da outra, entrelaçadas... E filmamos primeiro bem próximo os microuniversos das estampas, fazendo um passeio por cima de todas elas, lentamente, em seguida pensamos em mostrar o pé caminhando em cima dos “caminhos da vida” feitos com as roupas, o deu um efeito bem interessante deixando a imagem do vídeo em segundo plano.
Editamos o vídeo, selecionando as partes mais interessantes, fizemos vários experimentos com as possibilidades do programa de edição, adicionamos e efeitos que posteriormente foram retirados, porque a tutora achou mais adequado.
Pensamos em colocar alguma musica, mas ficamos com receio de descaracterizar o que vem a ser um videoarte então achamos melhor utilizar o som natural do ambiente, captado na hora das gravações.
Foi uma atividade muito rica, que nos permitiu conhecer um pouco das possibilidades de se fazer um videoarte, confundindo-nos primeiramente, mas possibilitando assim através do debates nos fóruns uma construção, instigando nossa curiosidade, permitindo explorar aspectos pouco observados, pontos de vistas diferentes; foi realmente uma atividade bastante construtiva.
Não sabemos se atingimos o ideal desejável para um videoarte, mas só a oportunidade de desenvolver de desenvolvimento do trabalho, foi para todas nós algo novo e muito gratificante.
 
              Link do vídeo no youtube:

Arte Postal - LovePower


domingo, 5 de setembro de 2010

Humor brasileiro: Comédia ou Tragédia?


Escolhi falar do programa de humor “Casseta e Planeta” exibido pela Rede Globo de Televisão nas noites de terça feira, ás vinte duas horas. É um programa que existe desde 1992 e destina-se as classes médias e baixas, e tem como principal foco ridicularizar os acontecimentos de nossa sociedade.
Em seus episódios o programa traz esteriótipos de todos os tipos, negros, homossexuais, políticos corruptos, mulheres objetos, criminosos; alimentado todo tipo de preconceitos, nutrindo sentimento de paralisação e aceitação diante das atrocidades cometidas em nosso país.
Em um dos episódios que assistir, eles ridicularizam o acontecido recentemente no hotel em São Conrado no Rio de Janeiro; um fato lamentável, vergonhoso e triste; fazer piada de tal fato, em minha opinião, é um ato de extremo mau gosto.
Tais ideologias, mesmo que cômicas fazem com que a população estagne ou até retroceda, porque ao invés de perceberem a gravidade das coisas, riem e acham normal, não agindo nem reagindo; permitindo todo tipo de avacalhação.
No programa existem caricaturas prejorativas de todas as ordens, desde o presidente da republica aos personagens das novelas.
Qualquer pronunciamento do presidente da republica vira piada; e os dramas televisivos que tratam de temas pertinentes a sociedade como: drogas, homossexualismo, gravidez na adolescência, lições de ética e honestidade são ridicularizadas pelo programa, obliterando o discernimento dos telespectadores.
A maioria dos programas de humor da TV brasileira são baseados nas misérias e precariedades sofridas pelo país. Em todos os canais o que se vê são os mesmos típicos formatos, onde temos como principal a vulgarização da figura feminina e sua exploração, a abismal diferença existente entre as classes sociais e as muitas doenças que gera essa desigualdade, preconceitos raciais e sexuais, humilhação, criminalidade são banalizadas e ridicularizadas, tratadas como aspectos normais da sociedade, destorcendo todos os tipos de valores.

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Fotonovela "Caminho do Saber"











MEMORIAL DESCRITIVO


O trabalho com fotonovela se iniciou no pólo, no dia 28 de agosto, sábado. A tutora Gabriela orientou os alunos a respeito do trabalho e a divisão dos grupos aconteceu de maneira espontânea. Nosso grupo foi composto pelas alunas: Aline, Fabiana, Renata, Terezinha e Monique. A ideia central do enredo surgiu de conversa entre o grupo, onde, depois de algumas reflexões, decidimos que faríamos a fotonovela sobre nossa trajetória na UnB, de maneira resumida. Posteriormente, escolhemos o título: “O Caminho do Saber”, sugestão da colega Renata.
Nosso grupo já havia feito pesquisas na internet sobre fotonovelas e, de posse desse conhecimento, não foi difícil a montagem. Começamos procurando sempre ouvir as ideias e opiniões de todas as participantes do grupo. Houve grande interação, respeito e participação. Depois de feito o roteiro, partimos para as fotos, tiradas no pólo e algumas retiradas de arquivos de atividades realizadas durante o curso. Tiramos várias fotografias e depois selecionamos as que melhor se adequavam ao enredo da fotonovela.
Durante a semana houve comunicação entre as componentes do nosso grupo, através de e-mails, MSN e também marcamos um dia (2 de setembro, quinta-feira) para vir ao pólo e concluirmos o trabalho. Depois desse dia, algumas modificações ainda foram feitas. A cada modificação, o trabalho era enviado para todas por e-mail, para que todas vissem e dessem seu parecer. No sábado, dia 4 de setembro, foi escrito este memorial.  

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Resenha Crítica do filme: “O Show de Truman”


O Show de Truman é um filme que mostra o sensacionalismo e alienação da sociedade atual imposta pela televisão. Feito pelo diretor Peter Weir e roteirista Anddrew Niccol, mostra a historia da vida de Truman Burbank, interpretado por Jim Carrey, um corretor de seguros, simples que vive desde que nasceu um reality show sem saber, tratado com mercadoria em um sistema cruel e dominador, que apresenta através de Truman um modelo de cidadão passivo e ideal, com um modo de agir e pensar desejável e manipulável.
Tudo ao redor de Truman é cenográfico, ele vive no maior estúdio do mundo; sua família, amigos e vizinhos fazem parte do elenco, e são comandados por Cristof, interpretado por Ed Harris, criador do espetáculo.
Truman não conhece os limites de sua “cidade”, desde que nasceu nunca saiu de lá, nunca viajou; e começa a querer explorar mais a vida.
Em “O Show de Truman” vemos duas perspectivas da vida, a visão de Truman da realidade e a visão dos espectadores; ambas distorcidas. No show aparecem propagandas de vários produtos como a cerveja que um amigo de Truman sempre leva a sua casa, o achocolatado que sua esposa consome, entre outros, demonstrando o quanto a publicidade invade o extrapola limites, induzindo a população ao consumo automático e inconscientemente.
Espectadores do mundo todo acompanham a vida de Truman, e chega a um ponto que ele começa a questionar sua vida pacata e perfeita, buscando quem realmente ele é e como se sente.
Truman enfrenta seus temores e vai velejar rumo a Sylvia nas ilhas Fiji. No caminho é obrigado a enfrentar uma terrível tempestade, provocada para detê-lo, mas sobrevive e consegue chegar á saída levando ao delírio milhares de espectadores que ao ver Truman se libertar sem saber também libertavam-se dessa influencia perniciosa do reality show. 
Em um momento do filme um entrevistador pergunta a Christof, criador do Show, porque Truman até agora nunca questionou a natureza do seu mundo? E Christof diz que as pessoas aceitam a realidade do mundo como ela é apresentada. Isso faz um paralelo com o Mito da Caverna de Platão, contido na obra A Republica que fala de como podemos nos libertar da escuridão que oculta à luz da sabedoria e da verdade. A fala de Christof é concordante ao Mito de Platão, pois diz que são poucos os que distinguem entre o mundo real e o mundo de aparências.


Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Referências:

O Show de Truman, O Show da Vida

Ficha Técnica:
Titulo no Brasil: O Show de Truman, O Show da Vida
Título Original: The Truman Show - EUA, 1998
Duração: 103 minutos
Gênero: Drama
Direção: Peter Weir
Roteiro: Andrew Niccol
Elenco: Jim Carrey, Laura Linney, Ed Harris, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Paul Giamatti


domingo, 22 de agosto de 2010

O Poder de Persuasão da Televisão


Escolhi a novela Tititi, exibida pela Rede Globo. Ela tratar de vários temas como ganância, vingança, inveja, poder, traição, preconceito, hipocrisia, moda, mídia, fama, homossexualismo, espiritualidade; trazendo-nos também um pouco de arte em seus capítulos.
A trama da telenovela se passa em torno de dois protagonistas: André e Ariclenis, que são inimigos de infância. André é o famoso estilista Jack Laclair e Ariclenis é um sujeito que não conseguiu obter êxito na vida, e sonha com o dia em que será reconhecido.
Até que um dia Ariclenis encontra uma senhora na rua, que faz vestidos de boneca, então ele vê ai a oportunidade de entrar para o mundo fashion. Ariclenis leva os vestidinhos feitos pela senhora para seu filho Luti, estudante de Artes Plásticas, e pede para ele desenhá-los no croqui; em seguida o leva para uma costureira do bairro. Assim ele cria Victor Valentim, e deixa o mundo da moda agitadíssimo com a expectativa de quem será esse novo nome.
Outra personagem interessante é a Maria Beatriz, uma menina de 12 anos, que entende muito de arte e moda, filha de Jack Leclair, ela odeia esse mundo de aparências e hipocrisia que envolve a moda; Mabi quer mostrar que moda é atitude, estilo, bom gosto, criatividade, inteligência, e não essa imensidão de futilidades impostas que sufocam a verdadeira alma da moda; então ela cria um blog com a ajuda de Luti para denunciar as bizarrices desse mundo fashion.
Luti é estudante de Artes Plásticas, que trabalha de garçom para pagar sua faculdade, é um personagem simples, trabalhador, que não aceita ajuda da mãe para pagar seu estudo e ás vezes traz para tela assuntos de arte, mostrando obras de alguns artistas e contando um pouco da vida deles. A personagem Rosana, mãe de Luti é dona de uma revista de moda e possui em sua sala um Kandinsky que também sempre é mostrado.
A novela trata de temas como preconceitos homossexuais, tendo um personagem que é homossexual e não é esteriotipado, mostrando que homossexualismo não é defeito, não é doença, não é falta de caráter, não é um estereótipo; é um aspecto natural da natureza humana que deve ser plenamente respeitado.
Quanto a conceitos religiosos, a novela mostra uma tendência ao espiritismo, demonstrando em seus capítulos acreditar em vida após a morte. O que acho muito positivo de ser mostrado, uma vez que se as pessoas pensassem existir vida após a morte, talvez vivessem mais plenamente, sendo mais espiritualizadas e menos materialistas.
A novela traz consigo uma idéia de consumismo inerente à televisão atual, contendo propagandas de produtos permeadas nas cenas. Isso é algo que acontece em todas as novelas, uma vez que são patrocinadas pela publicidade. Para os empresários é excelente aparecer na novela, sendo imenso o poder de persuasão que ela exerce sobre o publico.
A novela lança moda, cria expressões, modifica o comportamento, o pensamento; influencia na preferência musical e em nossas opiniões de tal forma que algo que pensamos preferir foi incutido e determinado a nós pela televisão e nós nem ao menos percebemos. Por isso é muito importante assistir a TV com um olhar critico, para não se deixar influenciar a ponto de modificar o seu viver.


Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Poder Monstruoso da Mídia

              O filme “O Quarto Poder” do diretor Costa Gravas se passa na cidade de Madeline, Califórnia, Estados Unidos. Nele, um repórter de televisão interpretado pelo ator Dustin Hoffman, é um profissional de uma grande emissora, que enfrentando uma crise em seu trabalho vai fazer uma cobertura corriqueira em um museu e se depara com um ex-segurança, vivido por John Travolta, ameaçando a diretora do museu com uma arma para conseguir seu emprego de volta.
              A diretora do museu não o atende, ele fica cada vez mais nervoso e acidentalmente dispara um tiro em seu antigo colega de trabalho, que é o atual segurança do museu. Para piorar a situação existe um grupo de crianças que no momento do ocorrido visitavam o museu e acabam virando refém do ex-segurança.
             O repórter convence o ex-segurança a lhe dar uma matéria exclusiva, prometendo comover a opinião pública com a triste história de um pai de família desempregado; vendo a oportunidade de voltar a ter credibilidade com este furo de reportagem. O repórter por interesses pessoais faz com que um caso de polícia vire um drama midiático.
             A mídia é como um quarto poder porque ela exerce uma grande influencia em todas as esferas sociais; ela tem grande poder de manipulação da opinião publica, determina o comportamento e as atitudes da população, que é desprovida de senso crítico.
            O filme mostra a distorção do jornalismo, que ao invés de cumprir seu dever de se preocupar com a investigação e a verdade, manipulam e sensacionalizam os acontecimentos em busca de audiência, realização pessoal e fama.
           O documentário de Simon Hartog “Muito Além do Cidadão Kane” feito pela TV inglesa BBC, Channel Four em 1993, é um documentário que causou grande polêmica, e teve sua exibição proibida no Brasil. O documentário trata do poder de manipulação da Rede Globo de televisão. Um poder que vai além das competências da mídia e chega a comandar todas as forças políticas do país. Roberto Marinho, dono da TV Globo, apresentava-se como jornalista, porém era muito mais que isso, praticamente um chefe de estado imposto, que exercia sua dominação sem ser eleito, exercia poder a tal ponto no país que tudo que acontecia no Brasil passava antes pela sua aprovação.
           Mostra que a emissora, desde sua fundação agiu de acordo com seus interesses escusos, e interesses de políticos para a manutenção do poder e da manipulação da verdade, sem nenhum escrúpulo ou compromisso com a honestidade, investigação ou desenvolvimento do verdadeiro jornalismo.
           O filme “O Quarto Poder” e o documentário “Muito Além do Cidadão Kane” tratam do mesmo tema: a manipulação dos fatos pela mídia e o poder imensurável que ela exerce sobre as pessoas.

Filmografia:
Título Original:  Mad City
Título no Brasil:  O Quarto Poder
Gênero:  Drama
Direção:  Costa-Gravas
Ano de Lançamento:  1997

Título Original: Beyond Citizen Kane
Título no Brasil: Muito Além do Cidadão Kane
Gênero: Documentário
Direção: Simon Hartog
Ano de Lançamento: 1993


Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ensinamentos de Stanislávski

               
               Constantin Siergueieivitch Alexeiev (1865 – 1938) escritor, pedagogo, ator e diretor de teatro, conhecido como Stanislávski e seu parceiro Vladímir Ivânovitch Niemiróvitch-Dântchenco (1858 – 1943) escritor e professor de arte dramática na Filarmônica de Moscou, criaram o Teatro de Arte de Moscou Acessível a Todos (TAM), que marcaria profundamente o teatro no século XX.
Na antiga Rússia, fins do século XIX e começo do século XX, faz-se extremamente necessária uma escola profissionalizante de atores. A formação de intérpretes era baseada na transmissão oral de conhecimentos, de um ator consagrado para um iniciante. O repertorio era feito de acordo com estereótipos, limitando os papeis que cada ator poderia fazer; e causando limitação ao espetáculo.
A arte de atuar poderia a partir de então se ensinada, mas para isso era necessário tornar o ator consciente do seu trabalho e sua preparação para o papel, para que este negasse o historionismo cênico, que era basicamente um conjunto de artifícios ou clichês de atuação, que englobava gestos para impacto imediato, eliminando a preocupação do ator com a amplitude de ações na encenação, impossibilitando a versatilidade de seu desempenho e do seu entendimento do processo de uma verdadeira atuação. Sem tais clichês o ator poderia concentrar suas energias na ação imaginativa e criativa.
Stanislávski queria combater formas de encenação com técnicas declamativas; no TAM seria gerado o Método de interpretação Stanislávski, baseando-se em ações físicas que transmitem o espírito interior do personagem, abastecendo-se pela vida e pela imaginação que o ator empresta ao papel. Tornam-se palavras chaves para o ator: ação física, espírito interior e imaginação.
As traduções do português foram feitas a partir das traduções do inglês, que por vários motivos não foram feitas em sua integra, prejudicando o entendimento dos ensinamentos de Stanislávski, também existiram alunos de Stanislávski que ficaram um curto período com ele e passaram seus ensinamentos sem serem autorizados para tal, além de não terem possuído conhecimento dos ensinamentos na integra, prejudicando também seu ensinamento. Então houve uma serie de equívocos dos ensinamentos de Stanislávski devido ás traduções.
No capítulo Plasticidade do Movimento, do livro A Construção da Personagem, Stanislávski trata do andar do ator e como se porta cada parte do corpo: cabeça, pescoço, torso, tórax, ombros, pés e quadris neste movimento. Fala também dos movimentos e ações, que originam-se na alma e seguem um caminho interior, sendo fundamental ao verdadeiro artista.
Èmile Jacques-Dalcroze (1865 – 1950) foi importante figura que foi omitida das traduções para o português; mas aparece nas traduções do espanhol com suas teorias. Dalcroze ao começar a lecionar no Conservatório de Genebra se depara com um problema com seus alunos que não compreendiam o ritmo; então ele cria uma tática com um exercício de solfejo envolvendo braços e pernas dos alunos com o objetivo de desenvolver o “ouvido interior” onde o corpo aparece como uma ponte entre os sons e o pensamento. Dalcroze levanta a hipótese do “sentido muscular” que é relação da dinâmica dos movimentos e a situação dos corpos no espaço; afirmando que o sentido muscular deve ser percebido tanto pelos sentidos quanto pelo intelecto.
Dalcroze chega à idéia da “consciência rítmica”; relação entre os movimentos intelectuais e físicos. Os exercícios despertam o sentido muscular, rítmico, auditivo; desencadeando imagens no cérebro, desenvolvem faculdades imaginativas, ao mesmo tempo em que dá sentido de ordem e de equilíbrio.
Stanislávski, dizia que é preciso estabelecer uma corrente interior de energia e que esta por sua vez, deve ser coordenada com as batidas compassadas do tempo e do ritmo.
Para Dalcroze os movimentos necessitam da sensibilidade, do intelecto e do “espiritual” para serem ouvidos, percebidos e entendidos pelo “ouvido interior”, para que se possa criar a própria música e externá-la através da “representação do ritmo”.
Para Stanislávski o ator necessita buscar de forma justificada, para não cair nos “clichês” de interpretação, a corrente interior de energia que terá como compasso o tempo e o ritmo. Stanislávski não recomendava aos atores o sistema de Dalcroze, que dizia ele estar afetado por certo mecanicismo; então ele introduz no sistema Dalcroze correções essenciais, exigindo uma justificação interior e a consciência de cada movimento, realizado ao compasso da música. O sistema de Dalcroze serve como base para o sistema Stanislavski, embora modificado por Stanislávski.
A seguir algumas idéias de Stanislávski que resumem seu “Sistema” de interpretação e o meu entendimento sobre elas.
“As emoções são independentes da vontade."  Entendo que as emoções são algo que vão além do domínio do querer.
"O subtexto é o contexto expressivo do texto, o texto escrito pelo autor e o subtexto falado pelo ator com as emoções e o corpo." Aqui ele explica que o texto escrito pelo autor não é exatamente o mesmo texto falado pelo ator. Embora possam ser os mesmos escritos, o ator quando executa o texto escrito pelo autor ele o faz com as emoções do corpo e do personagem.
"Cabe ao ator compor música dos seus sentimentos para o texto do seu papel e apreender a cantar em palavras esses sentimentos."  Aqui ele explica que cabe ao ator compor seu papel, em cima do texto escrito pelo autor o ator tem a obrigação de compor seu papel imprimindo nele seus sentimentos emprestados de sua vida e de seu personagem.
 “Os movimentos devem ter sempre um propósito e estar sempre relacionados com o conteúdo de seu papel." Aqui ele explica que os movimentos não são despropositados e desprendidos do papel, e sim formam um conjunto na atuação.

"Os músculos devem estar plena e diretamente subordinados aos sentimentos." Aqui ele nos diz que os músculos do corpo, responsáveis pelo movimento na atuação devem estar subordinados ao sentimento do personagem.
“Todo invento da imaginação do ator deve ser minuciosamente elaborado e solidamente erguido sobre uma base de fatos” Aqui ele diz que a imaginação do ator deve ser cuidadosamente trabalhada sobre estudos e fatos concisos do personagem e não aleatoriamente.
"A formação do ator se alinha ao aprimoramento de sua sensibilidade e conhecimento do que faz." Ele explica que o bom ator é um conjunto de aprimoramento da sua sensibilidade com estudo e dedicação.
"Nunca se permita representar exteriormente algo que você não tenha experimentado intimamente." Ele ensina que não se deve representar aquilo que você não conhece e não estudou profundamente.
”O essencial da arte não está nas suas formas exteriores, mas no seu conteúdo espiritual. Entendo aqui que ele diz que a arte para acontecer de modo sublime, é necessária vir de dentro da alma, não das formas exteriores.


Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Inspire-se, transpire, crie, transforme!

"Serpentina" - Técnica Dripping Espatulado

"Transformação" - Técnica Dripping Espatulado

"Celebração" - Técnica Dripping Espatulado


Artista Renata Peixoto de Castro Rodrigues - Julho de 2010


sábado, 24 de julho de 2010

“A Gaivota” de Tchékhov – Intuição e Sentimento


A linha da intuição e do sentimento foi sugerida por Tchékhov, para revelar a essência interior da sua obra, sendo necessário fazer uma espécie de escavação nas profundezas espirituais de seu trabalho.
Muitos teatros tentaram transmitir Tchékhov com técnicas antigas de interpretação e falharam, mesmo tratando-se dos melhores artistas do mundo, os quais tinham muito talento, técnica e experiência.
O Teatro de Artes de Moscou conseguiu levar ao palco o legado de Tchékhov, graças a um novo enfoque especial que veio revolucionar as artes dramáticas.
A obra de Tchékhov não se revela a primeira vista, e parece quase que insossa, sem nenhum acontecimento especial, mas depois que temos o primeiro contato com ela, ela começa se revelar e mostrar seu conteúdo interior em suas profundas camadas, revelando-nos novas sensações.
Tchékhov exprime em sua peça assuntos do eterno, um grande ideal, um sonho de vida futura na Terra, elevada cultura do Espírito Universal do Homem, que precisa de amplitude de espaço de todo o universo, sendo muito complexa e difícil de realizar.
As atividades de sua peça são grandes, mas não na forma externa e sim na forma interior, pois para Tchékhov a ação cênica deve ser compreendida no sentido interno alegando que só assim pode-se construir uma obra dramática. A ação externa no palco distrai e diverte, enquanto a interna contagia e eleva a alma. As duas ações juntas ligadas se completam, devendo estar a ação interna em primeiro plano; sendo importante para interpretação de Tchékhov a configuração espiritual de seus personagens.
Nas peças de Tchékhov é preciso sentir, ser, viver e não apenas representar. Ele é uma mistura de significados e sensações, contendo em sua obra algumas passagens simbolistas, impressionista, naturalista e até abstratas; trazendo assuntos inovadores, que abalam os alicerces conservadores da época.
É preciso em sua obra ter a mente e o corpo ligados e atentos aos detalhes, associações, lembranças. Como por exemplo, quando um jovem apaixonado coloca aos pés de sua amada uma gaivota branca morta, sendo um símbolo da vida. Ou quando o professor fala incessantemente durante a peça para a mulher da criança que chora, trata-se de realismo. Ou na cena revoltante na qual a mãe se desfaz das idéias do filho idealista, sendo naturalista. Ou ainda quando o personagem de Dorn fala a Trepliov que sua peça é estranha, mas o agradou imensamente, embora não tenha entendido nada, se emocionou, dizendo que ele colheu seu assunto no campo das idéias abstratas; sendo isso muito bom porque a arte deve exprimir um pensamento elevado.
Tchékhov faz referencia a varias personalidades artísticas, literárias e históricas. Utiliza-se de trechos de Hamlet de Shakespeare, existindo um paralelo entre Shakespeare na relação conturbada entre mãe e filho, como em Hamlet. Faz referencia a Guy de Maupassant, escritor francês com inclinação a assuntos psicológicos, assuntos de criticas social com técnicas naturalistas. Faz referencia também a personalidades históricas como Alexandre O Grande, César e Napoleão.
É preciso em Tchékhov ler nas entrelinhas, a complexidade de sua obra dá lado para varias interpretações, ou até para uma interpretação pobre e desorientada se não souber extrair o elixir de sua essência.  Ele ter o poder de transmitir estados de espírito ás pessoas, compilar cenas complexas onde o cotidiano e os sentimentos se misturam com bom humor; passando de um estado de espírito para outro faz com que espectadores e artistas se sintam vivendo, numa rotina que nos traz angustia e vontade de encontrar uma saída; assim ele conduz o espetáculo.
Aparentemente Tchékhov mostra em cena costumes e trivialidades da vida, mas isso é só para dar o contraste ao sonho maior, que esta sempre se consumindo em sentimentos e expectativas.
Tchékhov aperfeiçoou seus conhecimentos sobre suas possibilidades, com a utilização de sons e luz no palco; o nascer e o pôr do sol, a tempestade, os pássaros, o grilo, o badalar dos relógios e sinos, assim ele exerce influencia sobre as almas humanas, revelando muito do espírito do homem.
Tchékhov abre mão das mentiras cênicas em virtude da verdade artística. Ele não trata das banalidades que nascem na superficialidade da alma, e sim busca sua arte nos refúgios da alma, pela relação complexa de um passado esquecido, com pressentimento aparentemente inexplicável do futuro.
Os artifícios cênicos como cheiro, sombras e sons junto com pressentimentos, insinuações, esperança e os estados de alma, entram em contato com nossa vivencia e sentimentos como religião, consciência social, justiça e provocam em nossa alma uma explosão de sentimentos.
Para sua interpretação é preciso entregar-se e seguir a linha espiritual proposta pela obra até as portas profundas da supra consciência artística.
O caminho para alcançar a supra consciência são vários e amplos, Nemitovitch-Dantchenko seguiu seu método artístico literário e Stanislavisk com seu método representativo. No inicio essa diferença os atrapalhou, causando até brigas sobre as diversas visões artísticas, que por fim acabaram por beneficiá-los, promovendo o aprofundamento no conhecimento artístico e compreenderam que não podia separar a forma do conteúdo.
Ambos perceberam que para obter resultado satisfatório na interpretação de Tchékhov, se fazia necessário uma unificação das forças artísticas, unificando as idéias de Vladímir Ivanovitch, escritor e dramaturgo; com um diretor de cena não convencional dispondo a dar novos efeitos luminosos; um pintor fantástico que traduzia o sentimento de Tchékhov e por fim atores de talento que poderiam ser conduzidos pelos diretores e influenciados pelo clima que se criava no palco devido os efeitos de iluminação e decoração para o caminho verdadeiro da criação.
Assim deixavam de representar a peça e podiam vive-la, podiam sentir a verdade externa por meio de lembranças intimas que provocavam suas almas e extraiam delas o sentimento de que Tchékhov falava; acontecendo o milagre da criação.
A peça foi um sucesso, diferentemente das primeiras encenações, porque em sua realização estavam empenhados diversos profissionais, dispostos a deixar de lado conservadorismo e se dedicaram para inovação e entrosamento colaborativo de artistas fantásticos, cada um com seu modo de interpretação, devido a suas especialidades e vivencia tão particulares de cada um, mas que juntos produziram uma obra prima que revolucionou o teatro do século XX.

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Referências Bibliográficas:
                  A Gaivota – Anton Tchekhov
                  A linha da intuição e do sentimento – Marcus Mota

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Adolphe Appia e a Luz

Com o surgimento da luz elétrica no séc XIX, Adolphe Appia faz uso artístico da luz em cena, ele utiliza a luz dando uma nova ênfase e revolucionando o teatro. O corpo do ator ganha mais movimento e vivacidade, o ator deixa de atuar em uma perspectiva bidimensional para uma perspectiva tridimensional. Uma serie de mudanças começam a acontecer na dramaturgia; mudanças na encenação, na preparação dos atores e na técnica teatral. Começa a ser redefinida a realização cênica sob vários ângulos como composição, realização, recepção e produção.
Appia, revendo as idéias de Richard Wagner que idealizava uma concepção integrada de efeitos para a construção do drama musical, imaginando uma arte do futuro como uma arte total (Gesamtkunstwerk), sendo a dramaturgia uma consciência dos meios para uma integração de canto, dança, luz, música, pintura, escultura; criando uma arte heterogenia, visando expandir o efeito do drama e seu potencial representacional por meio da extensão dos parâmetros que compõe a obra. A música conduz o espetáculo, não sendo mais um enredo limitado como antes.
Appia critica a concepção realista do teatro, e propões uma teoria da encenação. Ele pinta com a luz, utiliza-se de sombras dando vida ao espaço com luzes de cores diferentes; troca os cenários pintados pelos efeitos da luz, dando ênfase a movimentos, profundidade e perspectivas nas encenações. As luzes, cores movimentadas e flexíveis são foco da teorização de Appia. Os atores, luz e musica contracenam entre si. O espaço determina a dimensão do espetáculo e as possibilidades de atuação; no espaço se juntam todos os elementos artísticos para o resultado da obra. O espaço proporciona ao espetáculo ser complexo, promovendo uma interação entre musica, luz e ator, criando um espetáculo surpreendente, que resulta em sucesso de audiência.

Referencias:
- Adolphe Appia (1862-1928) Encenando Com A Luz.
- O Drama Wagneriano e o Papel de Adolphe Appia Em Suas Transformações Cênicas