quinta-feira, 1 de abril de 2010

Resenha

Livro: Paradigma educacional emergente. Capitulo 5
MORAES, Maria Cândida.  São Paulo: Papirus, 1997

Titulo: Novos Prismas para a Educação

O mundo encontra-se em constante fluxo de energia, movimento, mudança no modo de viver, de pensar, completamente conectado e interdependente, é um organismo vivo, interativo, criativo, desorganizado e acidental. Mas do caos surge a criatividade, a beleza, o inusitado, o construtivo.
Neste mundo tão dinâmico e imprevisível não há espaço para uma escola autoritária, rígida, hierárquica, paralisada no tempo; que vê o mundo como algo distante das pessoas, que dissocia os indivíduos da vida. Uma escola assim será que tem a capacidade de formar alguém, ou será que apenas deforma a formação e a visão dos indivíduos?
Diante da realidade atual, o que fazer para tornar o sistema educacional mais leve, flexível, dinâmico, interativo?
Na proposta curricular tradicional, o ensino é organizado por meio de estruturas hierárquicas, burocráticas, com as decisões realizadas pela instituição sem a opinião ou participação dos alunos, sendo cada disciplina exercida de maneira individual, separadas por especialidades e assuntos, a maioria das vezes, não interligados.
Hoje a proposta curricular é diferente da tradicional que tratava o aluno de modo geral e não individual, hoje o professor atende as necessidades dos alunos e atende as suas particularidades de modo muito mais amplo e efetivo. Buscando atender os vários tipos de pessoas com seus modos de pensar e aprender, tão peculiares a cada um, pois nem todos possuem as mesmas habilidades; o meio de transmitir conhecimento deve ser amplo, utilizando-se de diversos métodos combinados, para atender assim o maior numero de alunos, cada um assimilando e compreendendo o conteúdo de sua maneira.     
O aprendiz hoje é visto como um ser singular, único no mundo, que vai se descobrindo mediante a ação construtiva de sua vida. Um ser com múltiplas inteligências, pensamentos, sentimentos, necessidades, temperamento; tudo tão particular, em pleno estado de descoberta, precisando se afirmar no mundo e necessitando de orientação.
Como afirma Freire “alguém que é sujeito, não objeto, que constrói o conhecimento na sua interação com o mundo, com os outros, que organiza sua própria experiência e aprende de um jeito que lhe é original e especifico”. 
O novo paradigma valoriza a experiência pessoal do individuo e o reintegra na construção do conhecimento entendendo que cada um atua de sua maneira devido a sua vivencia e preferências.
O foco da educação deve ser a aprendizagem efetiva e não o ensino, a construção ativa e coletiva do conhecimento não as instruções. Deve ser a ação sobre o objeto, a atuação do aluno sobre as ferramentas da educação. De acordo com o dicionário Aurélio Buarque de Holanda, instruções resultam adestramento, treinamento, o que é bem diferente de aprendizado e de conhecimento.       
Segundo Piaget, para que um organismo evolua física e psicologicamente é necessário um desequilíbrio, uma perturbação, assim o individuo pode assimilar em novos esquemas e se auto-estruturar. É a desestruturação que gera desenvolvimento. Para o organismo se auto- estruturar é necessário que se tenha uma desestruturação significativa; caso contrário não é incorporado à mente e os outros organismos do corpo. Assim quando ocorre a reorganização, começa uma aprendizagem estrutural e regenerável.
Com a atual situação do mundo, com tantas mudanças e incertezas, é preciso preparar professores e alunos para estarem aptos a aprender, saber refletir, analisar, mudar conceitos, lidar com situações novas; tendo capacidade de assimilar novas informações e mudar antigas idéias a fim de transformar e adquirir novos conhecimentos.
A educação precisa de um programa de ensino onde o individuo aprenda continuamente, com métodos de pesquisa, ensinando a criança a investigar, saber tomar decisões, saber utilizar as ferramentas para acesso á informação, saber filtrar informações relevantes, desenvolvendo assim um senso critico e autonomia em seus estudos.
A autonomia nada mais é do que aprender a aprender, aprender a pensar, se sair bem de situações desconhecidas; auto-organizando, reestruturando e reequilibrando as atividades motoras, verbais e mentais.
A pedagogia durante muito tempo foi um mero veiculo de transmissão de conteúdo, mas não pode mais continuar assim; hoje ela tem deveres muito mais amplos, ela deve promover a emancipação e capacitação do aluno deixando-o apto a construção e reconstrução do conhecimento.
As necessidades atuais requerem uma nova educação, uma nova proposta curricular para maior entendimento da vida e do mundo. Como desenvolver uma proposta curricular de acordo com as novas propostas pedagógicas, e as necessidades dos alunos?
O professor em sua atuação deve alterar entre a prática e a teoria, servindo-se de base nas teorias de Piaget, Brunner e Freire; sempre mantendo o fluxo de energia, procurando o máximo de interação professor-aluno, propiciando o desenvolvimento de uma relação de aprendizado, respeito, nada de modo imposto e sim conquistado. 
Hoje se faz necessária uma proposta curricular que não levante bandeiras de verdades absolutas, estabilidades, certezas; e sim uma proposta que atente para questões importantes e amplas como a necessidade de uma preocupação ecológica, necessidade de se explorar o desconhecido, de experimentar; uma proposta que iguale aluno e professor em sala, deixando-os em patamares iguais, interados, promovendo assim juntos a construção do conhecimento e a reflexão.
Pensemos então, o que é inteligência?
Segundo Binet (1916), “inteligência é a faculdade de adaptar-se a circunstancias”; Matarazzo e Wechsler (1968) definem como “a capacidade agregada ou global do individuo de atuar deliberadamente, de pensar racionalmente e de desenvolver-se de forma efetiva dentro do seu ambiente”.
Em todas as definições mostra implicitamente a capacidade de adaptação da inteligência, mostra a importância do pensamento sob uma aplicação observável; que pode ser, por exemplo, a capacidade de adaptar-se a um ambiente ou a resolução de algum problema.
A mente humana é muito vasta e complexa, e durante muito tempo foi medida pelos testes de inteligência, coisa que não deveria ser feita, pois já na década de 50, concluiu-se que existem muitas habilidades mentais que não podiam ser medidas por tais testes. Gardner (1993) buscou uma visão alternativa, fundamentado em fatores biológicos e antropológicos, estudos das estruturas, das funções do sistema nervoso e nas diferenças sociais e culturais, percebeu assim a diversidade de papeis existentes na sociedade contemporâneas e criou a teoria das inteligências múltiplas, que traz uma visão multidimensional da mente humana. Essa tese fundamenta-se em uma serie de fatores, como pessoas que sofrem alguma lesão em determinada parte do cérebro deixando outras áreas intactas, ou ainda pessoas com habilidades em determinada competência e inabilidade em outras áreas.
O autor desta teoria reconhece a existência de inteligências independentes, e destaca que em qualquer atividade humana sempre haverá interatividade, interdependência e cooperação entre as inteligências, cada área do cérebro contribuindo com a produção de estímulos, sendo todas gradativamente importantes.
Goleman nos fala da importância da alfabetização emocional do sujeito, que é a capacidade de aprender a distinguir os sentimentos e controlá-los, desenvolvendo autoconsciência sobre seus atos; uma vez que a aprendizagem não ocorre separadamente dos sentimentos.
A ciência vem mostrar que a interação social possui um papel importante no desenvolvimento dos indivíduos, em suas estruturas mentais, na criatividade, nos mostrando que a inteligência é fruto da complexidade, produto da interação entre humanos, fatores biológicos e técnicos com o meio em que vivemos.  

Texto escrito por: Renata Peixoto de Castro Rodrigues