segunda-feira, 26 de julho de 2010

Inspire-se, transpire, crie, transforme!

"Serpentina" - Técnica Dripping Espatulado

"Transformação" - Técnica Dripping Espatulado

"Celebração" - Técnica Dripping Espatulado


Artista Renata Peixoto de Castro Rodrigues - Julho de 2010


sábado, 24 de julho de 2010

“A Gaivota” de Tchékhov – Intuição e Sentimento


A linha da intuição e do sentimento foi sugerida por Tchékhov, para revelar a essência interior da sua obra, sendo necessário fazer uma espécie de escavação nas profundezas espirituais de seu trabalho.
Muitos teatros tentaram transmitir Tchékhov com técnicas antigas de interpretação e falharam, mesmo tratando-se dos melhores artistas do mundo, os quais tinham muito talento, técnica e experiência.
O Teatro de Artes de Moscou conseguiu levar ao palco o legado de Tchékhov, graças a um novo enfoque especial que veio revolucionar as artes dramáticas.
A obra de Tchékhov não se revela a primeira vista, e parece quase que insossa, sem nenhum acontecimento especial, mas depois que temos o primeiro contato com ela, ela começa se revelar e mostrar seu conteúdo interior em suas profundas camadas, revelando-nos novas sensações.
Tchékhov exprime em sua peça assuntos do eterno, um grande ideal, um sonho de vida futura na Terra, elevada cultura do Espírito Universal do Homem, que precisa de amplitude de espaço de todo o universo, sendo muito complexa e difícil de realizar.
As atividades de sua peça são grandes, mas não na forma externa e sim na forma interior, pois para Tchékhov a ação cênica deve ser compreendida no sentido interno alegando que só assim pode-se construir uma obra dramática. A ação externa no palco distrai e diverte, enquanto a interna contagia e eleva a alma. As duas ações juntas ligadas se completam, devendo estar a ação interna em primeiro plano; sendo importante para interpretação de Tchékhov a configuração espiritual de seus personagens.
Nas peças de Tchékhov é preciso sentir, ser, viver e não apenas representar. Ele é uma mistura de significados e sensações, contendo em sua obra algumas passagens simbolistas, impressionista, naturalista e até abstratas; trazendo assuntos inovadores, que abalam os alicerces conservadores da época.
É preciso em sua obra ter a mente e o corpo ligados e atentos aos detalhes, associações, lembranças. Como por exemplo, quando um jovem apaixonado coloca aos pés de sua amada uma gaivota branca morta, sendo um símbolo da vida. Ou quando o professor fala incessantemente durante a peça para a mulher da criança que chora, trata-se de realismo. Ou na cena revoltante na qual a mãe se desfaz das idéias do filho idealista, sendo naturalista. Ou ainda quando o personagem de Dorn fala a Trepliov que sua peça é estranha, mas o agradou imensamente, embora não tenha entendido nada, se emocionou, dizendo que ele colheu seu assunto no campo das idéias abstratas; sendo isso muito bom porque a arte deve exprimir um pensamento elevado.
Tchékhov faz referencia a varias personalidades artísticas, literárias e históricas. Utiliza-se de trechos de Hamlet de Shakespeare, existindo um paralelo entre Shakespeare na relação conturbada entre mãe e filho, como em Hamlet. Faz referencia a Guy de Maupassant, escritor francês com inclinação a assuntos psicológicos, assuntos de criticas social com técnicas naturalistas. Faz referencia também a personalidades históricas como Alexandre O Grande, César e Napoleão.
É preciso em Tchékhov ler nas entrelinhas, a complexidade de sua obra dá lado para varias interpretações, ou até para uma interpretação pobre e desorientada se não souber extrair o elixir de sua essência.  Ele ter o poder de transmitir estados de espírito ás pessoas, compilar cenas complexas onde o cotidiano e os sentimentos se misturam com bom humor; passando de um estado de espírito para outro faz com que espectadores e artistas se sintam vivendo, numa rotina que nos traz angustia e vontade de encontrar uma saída; assim ele conduz o espetáculo.
Aparentemente Tchékhov mostra em cena costumes e trivialidades da vida, mas isso é só para dar o contraste ao sonho maior, que esta sempre se consumindo em sentimentos e expectativas.
Tchékhov aperfeiçoou seus conhecimentos sobre suas possibilidades, com a utilização de sons e luz no palco; o nascer e o pôr do sol, a tempestade, os pássaros, o grilo, o badalar dos relógios e sinos, assim ele exerce influencia sobre as almas humanas, revelando muito do espírito do homem.
Tchékhov abre mão das mentiras cênicas em virtude da verdade artística. Ele não trata das banalidades que nascem na superficialidade da alma, e sim busca sua arte nos refúgios da alma, pela relação complexa de um passado esquecido, com pressentimento aparentemente inexplicável do futuro.
Os artifícios cênicos como cheiro, sombras e sons junto com pressentimentos, insinuações, esperança e os estados de alma, entram em contato com nossa vivencia e sentimentos como religião, consciência social, justiça e provocam em nossa alma uma explosão de sentimentos.
Para sua interpretação é preciso entregar-se e seguir a linha espiritual proposta pela obra até as portas profundas da supra consciência artística.
O caminho para alcançar a supra consciência são vários e amplos, Nemitovitch-Dantchenko seguiu seu método artístico literário e Stanislavisk com seu método representativo. No inicio essa diferença os atrapalhou, causando até brigas sobre as diversas visões artísticas, que por fim acabaram por beneficiá-los, promovendo o aprofundamento no conhecimento artístico e compreenderam que não podia separar a forma do conteúdo.
Ambos perceberam que para obter resultado satisfatório na interpretação de Tchékhov, se fazia necessário uma unificação das forças artísticas, unificando as idéias de Vladímir Ivanovitch, escritor e dramaturgo; com um diretor de cena não convencional dispondo a dar novos efeitos luminosos; um pintor fantástico que traduzia o sentimento de Tchékhov e por fim atores de talento que poderiam ser conduzidos pelos diretores e influenciados pelo clima que se criava no palco devido os efeitos de iluminação e decoração para o caminho verdadeiro da criação.
Assim deixavam de representar a peça e podiam vive-la, podiam sentir a verdade externa por meio de lembranças intimas que provocavam suas almas e extraiam delas o sentimento de que Tchékhov falava; acontecendo o milagre da criação.
A peça foi um sucesso, diferentemente das primeiras encenações, porque em sua realização estavam empenhados diversos profissionais, dispostos a deixar de lado conservadorismo e se dedicaram para inovação e entrosamento colaborativo de artistas fantásticos, cada um com seu modo de interpretação, devido a suas especialidades e vivencia tão particulares de cada um, mas que juntos produziram uma obra prima que revolucionou o teatro do século XX.

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Referências Bibliográficas:
                  A Gaivota – Anton Tchekhov
                  A linha da intuição e do sentimento – Marcus Mota

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Adolphe Appia e a Luz

Com o surgimento da luz elétrica no séc XIX, Adolphe Appia faz uso artístico da luz em cena, ele utiliza a luz dando uma nova ênfase e revolucionando o teatro. O corpo do ator ganha mais movimento e vivacidade, o ator deixa de atuar em uma perspectiva bidimensional para uma perspectiva tridimensional. Uma serie de mudanças começam a acontecer na dramaturgia; mudanças na encenação, na preparação dos atores e na técnica teatral. Começa a ser redefinida a realização cênica sob vários ângulos como composição, realização, recepção e produção.
Appia, revendo as idéias de Richard Wagner que idealizava uma concepção integrada de efeitos para a construção do drama musical, imaginando uma arte do futuro como uma arte total (Gesamtkunstwerk), sendo a dramaturgia uma consciência dos meios para uma integração de canto, dança, luz, música, pintura, escultura; criando uma arte heterogenia, visando expandir o efeito do drama e seu potencial representacional por meio da extensão dos parâmetros que compõe a obra. A música conduz o espetáculo, não sendo mais um enredo limitado como antes.
Appia critica a concepção realista do teatro, e propões uma teoria da encenação. Ele pinta com a luz, utiliza-se de sombras dando vida ao espaço com luzes de cores diferentes; troca os cenários pintados pelos efeitos da luz, dando ênfase a movimentos, profundidade e perspectivas nas encenações. As luzes, cores movimentadas e flexíveis são foco da teorização de Appia. Os atores, luz e musica contracenam entre si. O espaço determina a dimensão do espetáculo e as possibilidades de atuação; no espaço se juntam todos os elementos artísticos para o resultado da obra. O espaço proporciona ao espetáculo ser complexo, promovendo uma interação entre musica, luz e ator, criando um espetáculo surpreendente, que resulta em sucesso de audiência.

Referencias:
- Adolphe Appia (1862-1928) Encenando Com A Luz.
- O Drama Wagneriano e o Papel de Adolphe Appia Em Suas Transformações Cênicas 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Comentário do filme: Blade Runner

          
       O filme mostra uma visão futurística de Los Angeles em novembro de 2019. A historia se passa num cenário hostil, uma metrópole super populosa decadente e sinistra onde as pessoas se amontoam pelas ruas sujas e escuras.
         Nessa época a humanidade inicia sua colonização espacial e são criados andróides com sua genética alterada (os replicantes), para trabalhos pesados nas colônias.
Um modelo em especial, os Nexus-6 são aparentemente iguais os humanos, porem muito mais fortes e com uma vida reduzida. Após um conflito proíbe-se a presença dos replicantes na Terra e cria-se uma policia especial para caçá-los (os Blade Runners).
     Deckard (vivido por Harrison Ford) é mandado atrás de quatro replicantes que haviam fugido numa rebelião, para exterminá-los. No meio de sua missão ele se depara com situações onde por duas vezes é salvo pelos replicantes e se apaixona por uma replicante que deveria caçar.
        Os replicantes tinham um objetivo que era conseguir prolongar suas vidas. O filme passa uma idéia de que os andróides podem se tornarem auto-suficientes e agirem por conta própria, penso que isso seja um mito empregado na idéia de que a maquina se revoltará com o homem.
     Se viesse a ocorrer tal situação, como andróides construídos pelo homem adquirirem sentimento e vontade própria; o homem deveria conviver pacificamente e respeitá-los, afinal não se pode trata o assunto como “uma experiência que não deu certo” e simplesmente matá-los; já que eles adquiriram pensamento, e a idéia de Renné Descartes: penso logo existo deviria prevalecer. É claro que eles (os replicantes) não poderiam infringir a lei, bem como o homem não pode, deveria ser visto como um cidadão com direitos e deveres.


Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

domingo, 18 de julho de 2010

Arte, Educação e Sociedade

A educação vem passando por problemas na execução das aulas de artes visuais, isso acontece devido a deficiências, ás vezes na aplicação do currículo, por falta de profissionais qualificados, falta de recursos e de vontade de mudança.  
Qual deveria ser o principal foco do ensino das artes visuais nos dias atuais? O principal foco é fazer com que o aluno crie um pensamento reflexivo, crítico, estético e social; capaz de ter participação efetiva na produção e compreensão cultural e de signos. Quais são os meios para se conseguir um ensino satisfatório, que priorize esse desenvolvimento?
Na escola tradicional, o ensino das artes era ministrado por orientação neoclássica, trazidas pela Academia de Belas Artes do século XIX. Os alunos eram ensinados a copiar objetos, tendo como modelo padrão a produção cultural européia; criando um ensino de arte elitizado, que privilegia alguns e prejudica muitos, impossibilitando que se tivesse conhecimento nas escolas de algumas produções artísticas e manifestações culturais, não reconhecidas, deixadas a margem da sociedade.
A escola renovada utilizou-se das práticas experimentais da arte moderna e começou a inserir materiais e técnicas pouco convencionais nas aulas de arte; o que foi muito positivo, pois beneficiou a criatividade, a criação e a reflexão; dando mais abertura para o desenvolvimento criativo e cognitivo do aprendiz.
A escola contemporânea vem, dando maior ênfase as artes produzidas nas diversas culturas, e passam a compreendê-la como instrumento de conhecimento nas escolas, tornando o ensino da arte algo mais homogêneo, não elitizado, permitindo aos alunos proximidade ao universo artístico e conhecimento da produção artística de todos, por meio do conhecimento de diversas culturas e suas produções. Assim o aluno aprende a situar-se no mundo, conhecendo sua origem, a cultura de seu povo, a cultura do povo vizinho, promovendo a igualdade de todos os tipos de artes, sem preconceito ou privilégios.  A diversidade cultural é imprescindível no ensino das artes visuais; por meio dela, os alunos se tornam capazes de assimilação da produção cultural do seu meio e de meios externos, assimilando melhor e sabendo como agir aos acontecimentos do cotidiano.
Os paradigmas contemporâneos do ensino das artes são compostos por várias vertentes e utiliza-se de mudanças, conservações, significações e ressignificações de questões estéticas e educacionais. Hoje, o ensino de artes visuais tem nas mãos uma importante responsabilidade, não pode deixar retroceder este processo de evolução, diante de todas as conquistas conseguidas até então.
A escola deve que exercer um ensino ativo, colocando o aluno como personagem principal no processo de ensino aprendizagem. Mas infelizmente o que vemos nas escolas públicas atuais é a desvalorização da arte, seguido do despreparo dos profissionais. Acontece um conflito entre metodologia e a real execução. Por um lado temos uma metodologia preparada, desenvolvida para dar suporte aos recursos pedagógicos; mas por outro temos carência de recursos pedagógicos e dificuldade de aplicação do proposto pela proposta curricular. Os professores sentem grande dificuldade na aplicação das propostas, uma vez que eles não possuem experiências anteriores com a formação que tiveram.  Geralmente esses professores foram formados pro uma corrente antiga e não entendem ou não conseguem trabalhar com as novas propostas. Alguns acham complicado ensinar leitura de imagem e contextualização, por ser algo que eles mesmos não aprenderam e não conseguem passar aos alunos.
Outra dificuldade é a questão de não ter recursos nas escolas públicas para materiais e eventos artísticos, devido à carência das mesmas; essa é uma questão que pode ser solucionada com um pouco de criatividade e baixíssimo custo. O professor pode propor a produção de diversos materiais artísticos, que além de resolver o problema do custo, proporciona aos alunos contato com a fabricação de materiais e o entendimento que isso é também conteúdo curricular, que a produção artística pode começar antes da criação da obra, na criação dos materiais a serem utilizados.
A Professora Ana Mae Barbosa criou a Proposta Triangular (1994) para o ensino das artes. Essa proposta tem três estágios: produção, leitura da imagem e contextualização. Na produção é quando se tem a oportunidade de experiência prática, é o momento de colocar em ação suas idéias, impressões, reflexões para a criação da obra. É um momento muito produtivo e prazeroso, onde os alunos têm livre possibilidade de criar aquilo que desejarem, sem regras, sem impedimentos ou cobranças, sem receio de errar, simplesmente se deixar levar.   A leitura de imagem é um momento muito importante porque é através dela que se consegue entender o significado da obra, é o que vai “alfabetizar” o individuo no universo da linguagem artística e dar a ele instrumentos para compreensão na observação e meios para expressão na hora e criação. O terceiro estágio proposto pela professora é a contextualização. A contextualização é o memento de mixar o que se observou, absorveu, e refletiu com a leitura de imagem, com suas próprias experiências para poder assim criar a sua própria produção e desenvolver uma opinião critica e reflexiva, socialmente ativa.
É uma excelente proposta, que dá condições do aluno se desenvolver e se encontrar como ser ativo reflexivo na sociedade; mas para ela realmente ser colocada em prática é preciso que as escolas de professores de artes estejam atentas as propostas e necessidades da sociedade e crie um professor de artes visuais capaz de transmitir ao aluno condições de desenvolvimento por meio da arte, proporcionando o desenvolvimento em outras esferas da vida social.
Para os professores que já estão atuando no ensino é preciso que uma reciclagem de conceitos, que atentem-se as novas propostas e consigam entender o que se é proposto para conseguir ensinar aos alunos. É preciso compreender que hoje professor e aluno são sujeitos ativos da aprendizagem, que ambos têm responsabilidade de aprender e ensinar, permitindo que se mantenha ativo o fluxo do conhecimento. O professor não é apenas sujeito encarregado de transmitir conhecimento, nem o aluno apenas receptor. Ambos têm a responsabilidade de permitirem e promoverem a troca de conteúdos, de idéias, de vivências, que é tão significativa para a aprendizagem.
As tecnologias são grande aliadas do ensino, não só do ensino da arte como de um modo geral. Não se pode mais viver como há décadas atrás, quando o mundo clama por pessoas dinâmicas, capazes de resolver problemas de imediato, capazes de escolher, de discernir, de adaptar-se a situações e condições inéditas, que cada vez mudam mais rapidamente; então é imprescindível acompanhar as mudanças e inseri-las no contexto escolar. 
Outra dificuldade que sofre o ensino das artes é o preconceito que é dado a esta matéria como um conteúdo recreativo, tratada pela escola como uma matéria secundária em relação às outras, pensamento este retrogrado, que prejudica a evolução do individuo com senso critico, social e estético. O ensino das artes é uma área do saber humano, que se liga a outras tantas áreas como: saúde, diversidade cultural, meio ambiente, trabalho, relações sociais, consumo, tecnologia, liberdade de escolha, de conhecimento, de direito, ética; sendo muito importante para o desenvolvimento das pessoas, capaz de interferir na produtividade das demais disciplinas e habilidades físicas e mentais.
Um ensino que prive pelo real desenvolvimento do aluno e da sociedade por meio da promoção de conhecimento de variadas culturas, por meio da arte, da produção, da leitura de imagem, da contextualização, que seja multidisciplinar; fará com que o aluno possa enriquecer suas experiências artísticas, estéticas e sociais; sendo capaz de voz ativa e participação crítica social significativa; sendo sujeito ativo de suas escolhas pessoais, culturais e profissionais.

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Referencias:
DUTRA, LIDIANE. Percurso da imagem no ensino de arte brasileiro. http://www.webartigos.com/(S/d).
 ARSLAN, Luciana Mourão e IAVELBERG, Rosa. O Ensino de Arte no início do século XXI . In:______. Ensino de Arte. São Paulo: Thomson Learning. 2006. p. 113.

Oficina de Giz de Cera, Giz Pastel, Aquarela, Guache, Nanquim e Carvão

Realizamos a atividade no Ateliê de Artes Visuais no pólo de Itapetininga.
A atividade teve duração de quatro horas e seu objetivo foi proporcionar a nós alunos conhecer como se dá a fabricação de alguns materiais artísticos. Os materiais fabricados foram: carvão, giz de será, giz pastel, nanquim, aquarela e guache.
A primeira oficina que fiz foi a de carvão. Levamos gravetos de varias arvores, mas utilizei o de amoreira, pois os outros estavam verdes. Colocamos os gravetos em uma lata com furos e levamos ao fogo. A principio pensei que não tinha dado certo, pois pegou fogo nos gravetos devido a furos muito grande na lata; mas depois que esperamos esfriar, vimos que tinha carvão que tinha dado certo dentro a lata. Constatamos que o carvão feito com gravetos da amoreira são bons para o desenho.
A segunda oficina que fiz foi a de giz de cera. Levamos os pigmentos e as ceras de abelha, de carnaúba e de parafina tinham no pólo. Misturei as ceras conforme a receita 5/1/1 em uma panela pequena, quando todas elas derreteram derramei a cera em latas cortadas, adicionei pigmento em pó e em seguida derramei uma gota num recipiente com água, para ver se estava dando certo. Coloquei pedaços de bambu em pé, com a parte fechada para baixo em outro pedaço de lata, e os enchi com a cera quente já pigmentada. Esperamos esfriar e apontamos a ponta do bambu com estilete para formar a ponta do lápis de cera. Fico muito bonita a cor e macio o giz.
A terceira oficina que fiz foi a de aquarela. Misturei a goma arábica diluída em água, a glicerina e o pigmento.  Misturei bem, e ficou pronta a aquarela. Ficou numa cor linda e manteve sua transparência.  Utilizamos uma parte da aquarela obtida para a manufatura do guache. Na quarta oficina fizemos guache, adicionamos a tinta já feita aquarela ao carbonato de cálcio. Fizemos também a tinta guache com resina de pino que temos aqui na região, mas esta não é diluída em água e sim em álcool. O resultado ficou ótimo, a tinta que utilizamos a goma arábica ficou mais liquida do que a tinha que utilizamos a resina de pino diluída em álcool.
A última oficina que fiz foi a de pastel, adicionei um pouco de CMC ao azulejo e coloquei pigmento em pó em cima. Misturei e adicionei mais pigmento até virar uma massa que não gruda nas mãos. Fiz uma cobrinha com a massa e coloquei na seringa, tirei o bastão e deixei secando. Alguns gizes de pastel ficaram bons outros ficaram esfarelando, mas para estes eu fiz um composição utilizando os gizes esfarelados pressionando-os com os dedos sobre o papel, o resultado ficou ótimo. As oficinas me surpreenderam, gostei muito de criar os materiais e criar composições com eles, foi uma atividade muito instrutiva, interativa e divertida; pena que atividades como essa não ocorrem co freqüência, nós gostaríamos muito de poder realizar mais atividades assim que promove o entrosamento do grupo, a descontração e o mais importante a prática.
Abaixo minhas composições feitas com o material que fiz em aula:

"Esquadros" - Renata Peixoto de Castro Rodrigues 
Giz de cera - junho de 2010


                             "Dois Irmãos" - Renata Peixoto de Castro Rodrigues

                          Giz Pastel  - junho de 2010

             "Abstração" - Renata Peixoto de Castro Rodrigues
                                 Giz Pastel - Junho de 2010

Texto e imagens: Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Hélio Oiticica e o Parangolé

Caetano Veloso - Parangolé - Hélio Oiticica 


         Hélio Oiticica foi grande artista brasileiro, pintor, escultor, artista plástico e performático, com aspirações anarquistas. Parangolé são uma espécie de capas ou bandeiras, que são carregadas pelo participante de um happening. O parangolé é feito com panos coloridos, interligados. Associado a dança e musica, sua cor ganha um dinamismo no espaço. A obra depende da participação corporal para existir. A cor assume, desse modo, um caráter literal de vivência, reunindo sensação visual, táctil e rítmica. O participante vira obra ao vesti-lo, ultrapassando a distância entre eles, superando o próprio conceito de arte. 
        Como o próprio artista declarou: "é incorporação do corpo na obra e da obra no corpo".  É uma arte que permite interação com o publico, não sendo uma arte unilateral.  O Parangolé surgiu da ligação do artista ao samba, é o que conta o crítico Mário Pedrosa que comenta a origem da criação do Parangolé por Oiticica: "Foi durante a iniciação ao samba, que o artista passou da experiência visual, em sua pureza, para a experiência de tato, do movimento, da fruição sensual dos materiais, em que o corpo inteiro, antes resumido na aristocracia distante do visual, entra como fonte total da sensorialidade". O Parangolé veio como um retrato de libertação do povo sofrido através das expressões corporaes, da dança, da musica, da possibilidade do povo ser inserido e fazer parte da obra de arte.

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Arte Contemporânea

        A arte contemporânea veio para atender as novas necessidades dos artistas e da sociedade que rapidamente se transforma.  A arte contemporânea inicia-se em meados dos anos 70 e acontece até os dias de hoje; a produção artística do fim do séc. XIX já não correspondia a arte moderna, pois com o avanço tecnológico, a chegada do homem no espaço, as constantes mudanças no mundo trouxe ao homem grande necessidade de uma arte que acompanhasse o desenvolvimento da sociedade, que saciasse a necessidade de uma nova linguagem pictórica, uma arte que proporcionasse experimentação, transformação e livre criação, então começou a arte contemporânea.  
        A arte contemporânea é uma arte livre de conceitos, livre de cronologia, nela diversos movimentos acontecem simultaneamente. A arte moderna aconteceu num momento de expansão industrial americana, onde o individualismo era exaltado, ja na arte contemporânea e devido as invenções tecnológicas atuais como o computador e a internet, recupera-se a idéia de grupo, de coletivo, de interdependencia, deixada de lado no modernismo. 
         No modernismo, a arte estava com sede de renovação, então a experimentação veio com força, manifestando-se dando inicio a varias técnicas novas na arte; ja na arte contemporânea não existe mais essa ânsia pelo novo; aqui tudo é permitido, o velho e o novo convivem, juntos, separados, sendo trazidos a tona propondo uma nova leitura sobre algo já existente, ou propondo algo novo, transformado.  A proposta da arte contemporânea é fazer arte a partir de tudo que se desejar a fim de transmitir uma idéia, um crítica, um sentimento. 

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Arte Hegemônica e o Conceito de Alteridade

             Arte Hegemônica foi um movimento artístico movido por um grupo seleto de artistas na maioria das vezes homens brancos europeus, que tinham possibilidades maiores tanto de criação como de divulgação de sua arte; pois possuíam acesso a estudos aprofundados de arte e outros conhecimentos que nem todos podiam ter (principalmente mulheres) e por serem ligados a aristocracia, tinham meios para apreciação e mercado para suas obras.    
              O conceito de alteridade nos fala sobre ser capaz de notar a diferença entre as pessoas, do respeito que se deve haver as diferenças e de como seria bom se ao invés de se repudiar algo diferente, promover, possibilitando assim a propagação de culturas diversas. O conceito de alteridade é contrario o de hegemonia, que prega a dominação de uma arte que se diz "superior" sobre outras artes "inferiores", como se esse grupo de artistas soubessem o que é arte certa para todos; e isso é algo impossível uma vez que existe uma diversidade de pessoas, de gostos, de opiniões, logo, como é possível dizer que algo é certo ou errado? Esse retrógrado conceito de hegemonia e dominação faz com que o mundo estagne e causa desentendimento e guerras. 
            Todas as pessoas tem o que oferecer umas as outras e a alteridade é exatamente isso, se conhecer as diferenças e fazer delas ferramenta para o enriquecimento de todos.  A escola tradicional também tem um conceito hegemonico na medida em que toma uma postura unilateral onde o aluno é sujeito passivo de receber informações passadas pelo professor que é transmissor único. Agindo assim impede de existir no ambiente escolar trocas de conhecimentos, coisas essencial para um aprendizado pleno nos dias atuais.  

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Arte Contemporânea e o filme “Corra Lola, Corra”

       
A arte contemporânea é arte que começou na segunda metade do séc XX, ganhando força aproximadamente na década de 60, acontecendo até os dias atuais. É uma arte que não conhece cronologia, que não conhece linearidade, é totalmente plural, com uma amplitude de movimentos e de estilos todos acontecendo ao mesmo tempo.
A arte contemporânea busca perceber como a história é construída, como aconteceu e nos é contada. Ela nos propõe um pensamento sobre a própria arte ou uma análise crítica da prática visual, assim ela surge como interrogadora, atribuindo novos significados, apropriando-se de todo tipo de imagens, não só do universo das artes como também do cotidiano.
O filme “Corra Lola, Corra” se relaciona com a arte contemporânea na medida em que ambos não possuem linearidade, ambos podem acontecer e re acontecer simultaneamente, podendo voltar e refazer novamente um quadro ou uma idéia, pois não existe algo rígido que impeça essa ação. O grito da Lola é como se representasse uma ruptura proposta pela arte contemporânea, de quebra de paradigmas; trazendo para o foco principal da arte a idéia e a crítica, nos propondo pensamento e analise da pratica visual sobre a própria arte.
A arte contemporânea é diferente da arte moderna, pois esta não busca mais o novo ou o espantoso, busca questionamento e reflexão sobre a leitura ou releitura da linguagem artística.
A Lola pode ser um dos muitos retratos que podemos dar a arte contemporânea; sua expressão, atitude, figurino, tudo em seu visual e em sua personalidade transpira contemporaneidade; podemos até dizer que a arte contemporânea é como a Lola, corre tanto que não se pode alcançar ou determinar.
A arte contemporânea não tem a necessidade de procurar sempre o novo, a fim de ficar a frente da tecnologia, ela é livre pra buscar tudo que desejar; o velho, o novo, o cotidiano e inserir tudo num mix, juntamente com indagações e fazer disto objeto de sua arte. O único compromisso do artista contemporâneo é com sua idéia, com sua reflexão, com sua intenção de expressar ao mundo sua opinião, apropriando-se do que quiser neste vasto universo de possibilidades, visando a produção de significados.
Diante da importância da imagem no mundo que estamos vivendo, tornou-se necessário para a contemporaneidade trazer uma critica da imagem, permitindo ao artista processar linguagens, aprofundando sua pesquisa e sua poética, sendo a arte a ocupadora hoje do espaço da invenção com o intuito de reflexão e crítica.

 Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Diversas manifestações artísticas

Victor Vasarely (1906-1997) é artista de destaque do movimento artístico Op Art (Optical Art), que é a arte que explora o olhar do observador pela ilusão de ótica, sendo uma arte com pouca expressão e muita visualização. As obras dessa vertente são em sua maioria abstratas; ao observarmos os desenhos por vezes parecem se movimentar. A Op Art simboliza um mundo em constante mudança. É uma arte que não explora o lado emocional e humano, e sim o lado cientifico e tecnológico, sendo assim suas possibilidades ilimitadas. Outro artista de destaque é Alexander Calder (1898-1976)



Victor Vasarely

O artista Jackson Pollock pertence ao movimento artístico Expressionismo Abstrato, movimento que surgiu nos Estados Unidos durante o pós guerra, e que fez de Nova York o centro do mundo artístico. Chama-se Expressionismo Abstrato por mesclar a intensidade emocional do expressionismo alemão com a estética antifigurativa das Escolas abstratas da Europa, como o Futurismo, o Bauhaus e o Cubismo Sintético. Jackson Pollock tinha preferência pela técnica drippinf, técnica de respingar tinta sobre a tela.  Outros pintores de destaque do expressionismo abstrato são: Arshile Gorky, Philip Guston, Willem de Kooning, Clyfford Still e Wassily Kandinsky

Jackson Pollock

Andy Warhol (1928 – 1987) artista do movimento Pop Art  (Arte Popular), um produto da sociedade americana, de vastos horizontes, sempre em mutação. Andy Warhol criou suas obras em cima de celebridade do cinema, da musica, que acabaram se transformando em verdadeiros mitos como Elvis Presley, Liz Taylor, Marlon Brando e Marilyn Monroe. Por volta da década de 60 os artistas, queriam uma arte moderna, irreal, que se comunique diretamente com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que cerca a cultura de massas e a vida cotidiana. Com aspectos carnavalescos, cores fortes, contrastantes, e da grande escala utilizada nas obras, essa arte baseada aos padrões dos anos 60, percebidos por meios de comunicação de massa. Para esse padrão, o desagradável, o non sense, o refinamento, foram excluídos. A arte pop é espontânea, direta e extrovertida. Além de Andy Warhol, os artistas pop mais expressivos são: Roy Lichenstein (1923-1997), Jasper Johns (1930) e Robert Indiana (1928).
Andy Warhol 

Arte conceitual movimento artístico moderno, também da década de 60 que defende a superioridade das idéias veiculadas pela obra de arte. Mostra artistas usando diferentes meios para transmitir significados. As fotografias e os textos escritos éramos mais utilizados, mas usam-se também mapas, vídeos, diagramas, entre outros. O artista Kosuth, por exemplo, justapôs uma cadeira de verdade, uma foto de uma cadeira e uma definição por escrito do termo cadeira retirada de um dicionário e, com isso, chamou atenção para a distinção entre realidade e representação e entre representação e linguagem.


Joseph Kosuth

 No final dos anos 60 artistas começam a procurar uma maior interação com a natureza. Artista como o americano Robert Smithson (1938-1973), propunha um “regresso à natureza” e tinham a intenção de ultrapassar as limitações do espaço tradicional das galerias, recusando o sentido comercial e mercantilista que a produção artística assumia nesta década. Estava assim criada a Land Art, Earth Art, Earthwork ou Arte da Terra. Outros artistas de destaque são: o americano Walter de Maria (1935) o holandês Marinus Boezem (1934) e os ingleses Barry Flannagan (1941) e Richard Long (1945).
Robert Smithson

Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues

Referências:
- História das artes visuais no século XX - Sainy . B. Veloso

Arte através dos Tempos


O que será que faz com que gostemos ou não de uma obra de arte? Pode ser a familiaridade com a obra, a lembrança da infância, cenas que gostaríamos que fossem reais, que nos faz gostar de uma tela ou escultura; talvez uma lembrança ruim faça não gostar. Precisamos sondar e descobrir que rejeitamos algumas obras belíssimas e perdemos o prazer de apreciá-las devidamente por puro preconceito.
Todos nós gostamos de ver em telas a beleza da natureza, ou pessoas bonitas, isso é muito natural; e os artistas que retratam esses temas, são facilmente apreciados. Mas essa preferência por obras “belas” torna-se um obstáculo, impedido que apreciemos obras de artistas que não se preocupam em mostrar aquilo que convencionamos achar bonito, e sim determinado sentimento ou idéia.
Ao olharmos uma obra como a do grande pintor alemão Albrecht Dürer, na qual desenhou sua mãe mostrando um estudo sincero da velhice, causa-nos certo choque; devemos educar nosso olhar e insistir na apreciação, assim seremos recompensados com grandes obras que seriam deixadas de lado por não representarem o que é comumente considerado belo.
A beleza de uma obra não esta em seu tema, existem muitas obras que tais como são pintadas, não são “bonitas” convencionalmente, mas são encantadoras e desafiadoras. É o caso da obra do pintor espanhol Bartolomé Estebán Murilo que retrata três crianças mal trajadas, e o pintor holandês Pieter de Hooch que pinta uma criança que não se parece como as crianças bonitas; são duas obras atraentes e diferentes do senso comum.  
Gostos e preferências variam muito com o passar dos anos, de épocas, local, e de pessoa para pessoa. A expressão numa obra, como a beleza é algo que nos cativa ou nos repele; algumas pessoas preferem expressões de fácil entendimento, que causa comoção, mas é importante olharmos para as varias expressões e não desprezarmos obras que possuem expressões mais complexas, de difícil entendimento. 
Devemos conhecer os métodos de desenho para podermos compreender os sentimentos e sentidos. Depois de descobrirmos os diferentes tipos de linguagem, podemos ate preferir obras menos obvias, deixando algo a ser descoberto, algo para se pensar.
            Os principiantes no estudo de obras de arte topam com certa dificuldade ao apreciar uma obra, pois eles querem admirar a pericia do artista ao representar as coisas exatamente como eles as vêem. É claro que isso é uma consideração importante, há vários artistas que representam as coisas fielmente nos mínimos detalhes e merecem grande mérito; como é o caso da aquarela de Dürer em estudo de uma lebre, minucioso em seus detalhes; mas não quer dizer que um desenho como o Rembrandt de um elefante que não apresenta tantos detalhes, é menos perfeito, pois com alguns traços de giz Rembrandt transmite a sensação de pele enrugada e grossa do elefante parecendo mágica.
O artista que desenha algo ao seu modo é por vezes censurado de não desenhar “corretamente”. O pintor Pablo Picasso pioneiro do movimento modernista, por exemplo, desenhou galinhas com seus pintos tais como são; mas ao desenhar um galo novo ele não se contentou em fazer simplesmente uma reprodução física do animal, ele queria transmitir um sentimento de agressividade da ave e recorreu à caricatura. Picasso a fez assim porque queria transmitir a idéia de intolerância da ave e não porque não tinha capacidade de desenhá-la “corretamente”.   
O artista ao criar uma obra a cria conforme suas razões e muda por vezes aquilo que vê; portanto nunca devemos condenar uma obra dizendo que esta “incorretamente” desenhada.
O meu objeto escolhido é a arte feita por computador, a chamada arte virtual, arte digital ou web arte da qual me identifico e me aventuro em fazê-la.  A arte digital nos traz possibilidade de modificar imagens, fotos, ou fazê-las de acordo com uma idéia que queiramos transmitir. Hoje com o desenvolvimento tecnológico e artístico, não existem mais regras e conceitos engessados em arte, não existe mais o “desenhar corretamente”, tudo é valido, toda e qualquer expressão artística deve ser respeitada.
O que é exatamente arte digital?
Arte de digital é a arte produzida em ambiente gráfico computacional. É feita usando ferramentas digitais ou virtuais com o objetivo de dar vida virtual as coisas, mostrando que a arte não é aquela feita apenas manualmente. Existem diversas categorias de arte digital: pintura digital, gravura digital, programas de modelação 3D, edição de fotografias e imagens, animação... Pode-se imprimir os resultados ou aprecia-lo no próprio ambiente gráfico computacional. Vários artistas usam estas técnicas. Existem diversas comunidades virtuais voltadas à divulgação da Arte Digital, entre elas, Deviantart, CGsociety e Cgarchitect.
Na arte utilizamos o temo virtual para nos referirmos às criações feitas através de meios computacionais, sem distinção quanto à origem e formas de concepção das criações, que pode ser operações feitas através da captura de imagens existentes e modificadas, ou criações integralmente numéricas.
Assim utilizamos a denominação de arte virtual para nos referirmos a um tipo de criação que utiliza os recursos fornecidos pela computação, diferente das formas de produção completamente manuais como a pintura, o desenho, a gravura e a escultura.
Sobre isso nos diz Lúcia Santaela (referindo-se a imagens produzidas no computador) “Pouco importa que ela seja figurativa, realista, surrealista ou abstrata. O que preside a formação dessas imagens é sempre uma abstração, a abstração de cálculos matemáticos, e não o real empírico”.
 A arte é sempre um fenômeno difícil de definir, ainda mais no momento que ela se encontra com a informática. Sobre isso nos diz Pierre Levy (1996) “que isso ocorre porque ela está quase sempre na fronteira da simples linguagem expressiva, da técnica ordinária (o artesanato) ou da função social muito claramente designável, mas que ela (a arte) fascina porque põe em prática a mais virtualizante das atividades. Talvez este seja um caminho profícuo para se desenvolver uma reflexão.”
A arte tem capacidade de produzir realidades, embora não reais e sim virtuais, realidades a partir da interação entre os sujeitos e os objetos de arte.
O nascimento da arte digital ocorreu na exposição Cybernetic serendipity (1968) realizada em Londres, Inglaterra. A produção era inspirada na abstração geométrica. O aparecimento da imagem animada e de terceira dimensão (3D), no começo dos anos 1980, trouxe o cinema de animação e dos efeitos especiais. Construíam-se objetos a partir de cálculos, com base em objetos reais; por síntese. Já nos anos 1990, houve um desenvolvimento acelerado da interatividade com a realidade virtual e os seus derivados, a multimídia e as redes digitais de comunicação, em que a troca de informação entre o homem e o computador se faz em tempo real e transitam nos dois sentidos.
As imagens digitais apresentam, assim, duas características comuns: os cálculos automáticos feitos em computador e a interatividade entre quem cria e o publico que aprecia. Relação entre arte e ciência. São relações muito antigas, que remontam à pré-história ou ao Renascimento, para não sermos mais exigentes.
Com a cibernética houve uma evolução da interatividade: o computador produz objetos virtuais que não se comportam como simples coisas, mas como seres artificiais dotados de alguma sensibilidade.
A arte como ritual também é feita por artistas através do computador, com o objetivo de divulgar as simbologias místicas; a arte ritualística é uma excelente forma de se propagar culturas milenares a muito esquecidas.
Como mostra o trabalho dos artistas visuais Binha Martins e Ruído, enfatizando a Cultura Celta, pesquisada e praticada à fundo por Binha. Eles acreditam ser esta uma ótima forma de popularizar essa cultura milenar e atemporal, da qual originaram-se tantas outras.
O povo Celta trabalhava dando conotação artística a muitas peças do cotidiano com sua simbologia mística. Para eles, o visível e o invisível faziam parte da mesma realidade, assim como este mundo e o mundo do além.
Os artistas lidam com simbologias de forma intuitiva e atual, dando significados e leituras mais pessoais junto aos significados históricos e lendários, numa viagem contínua, convidando sua percepção a dançar também nos círculos, espirais e ver como tudo e todos estão entrelaçados nos galhos de Yggdrasil, a Árvore da Vida.
 Vemos que é grande o desenvolvimento da arte digital, ela esta cada vez mais presente em nossas vidas, esta cada vez mais sendo
acolhida pela sociedade, que se deliciam com as muitas possibilidades antes inimagináveis que a arte computacional oferece. Ela dá a possibilidade de o belo ser ainda mais belo, com cores mais vibrantes, além de possibilitar “paisagens” ou “insights” jamais imaginados.
Eu particularmente gosto muito da arte digital, das possibilidades de criação, desenvolvimento e divulgação, por meio de tecnologia. Comecei a utilizar o programa Gimp de criação e manipulação de imagens e estou muito empolgada com suas possibilidades de criação. Penso que a arte digital, é como toda arte que tem a intenção e deve promover o pensamento do homem, divulgar idéias, causar questionamento reflexivo, estético e conceitual.
Como considerou o pensamento kantiano dizendo que “algo bonito é propositivo sem um propósito”, até concordo que só por algo se mostrar magnificamente belo já é um propósito por ele só; mas a arte deve também ter espaço e ser desenvolvida propositadamente com o intuito de causar reflexão e transformação social.
            Vale lembrar e ressaltar que o belo e o feio são conceito a que estamos ligados por vários motivos, que podem variar de época em época, de lugar em lugar, e até na cabeça de indivíduos da mesma hierarquia social.
O que deve valer em questão de arte é o respeito as diversidade de gostos, e se tratando da observação de uma obra de arte, devemos procurar entender o que o artista quis provocar, qual a mensagem, qual a intenção e manter um distanciamento emocional da obra, pois se não interferiria numa analise verdadeira e imparcial.
Aplicando a analise tripartite proposta por Freeland para analise de meu objeto: quanto à forma e os materiais observo que a produção é feita por meio computacional em ambiente digital, através das ferramentas que a computação oferece. Os materiais são, além de ferramentas computacionais, fotos modificadas, e também objetos utilizados naturalmente nos trabalhos feitos manualmente que utilizam o computador para dar um toque especial e divulgação do trabalho.
conteúdo é diverso, a arte digital é desenvolvida para propaganda, cinema, televisão, protesto, além de produção de artistas conhecidos e anônimos que tem a possibilidade de mostrar seu trabalho. No contexto atual com o desenvolvimento tecnológico esta atividade está em expansão, estando cada vez mais presente em nosso cotidiano.
A sociedade e minha comunidade estão se mobilizando para o desenvolvimento da arte digital, que aparece nas novelas, nas propagandas, nas revistas, nos baners e outdoors pela cidade, nos flyers de festas e eventos; estando cada vez mais presente em nossas vidas e se tornando ferramenta indispensável no trabalho de grande numero de pessoas e empresas, possibilitando uma qualidade no trabalho cada vez melhor.
É interessante o contraste entre o novo e o antigo que podemos ver nas cidades como a minha, que é uma cidade relativamente antiga (sendo criado o município de Itapetininga em 1771) com prédios antigos e igrejas de estilo clássico convivendo com o novo ilustrado pelo comercio e propagandas.
A arte em geral, o teatro, pintura, escultura, musica, poesia; foram vistas como arte da imitação. Sendo assim a arte virtual também pode ser vista como uma arte da imitação.
Mímesis vem do latim “imitatio” que significa “imitação”. Refere-se a uma ação ou capacidade de imitar; copiar, reproduzir, representar... A teoria da imitação diz que a arte é uma imitação da natureza ou da vida e ação humana.
Na filosofia aristotélica a imitação é o fundamento de toda a arte. O fenômeno da imitação não é exclusividade do processo artístico, uma vez que toda atividade humana esta vinculada a procedimentos miméticos como a dança, a aprendizagem de línguas, os rituais religiosos, a prática desportiva, o domínio das novas tecnologias, etc.
O conceito de mímesis evoluiu com o passar dos anos, para Platão a imitação é acima de tudo produção de imagens e resultado de pura inspiração e entusiasmo do artista perante a natureza das coisas aparentemente reais (particular na comédia e na tragédia), ele criticou todas as instâncias de ‘mimesis’ ou imitação, inclusive as tragédias, por não descreverem o que ele considerava realidades ideais eternas.
Na Poética, Aristóteles diz que o poeta é um imitador do real por excelência, e defende a tragédia dizendo que ela poderia servir para educar, atraindo às mentes de pessoas sentimentos e sensações; Aristóteles diz que a imitação é algo natural dos seres humanos que desde a infância aprendem com ela. Os tratadistas latinos como Horácio, apóiam o princípio aristotélico, dizendo que a pintura como a poesia (ut pictura poesis), por exemplo, são artes de imitação.
Com opinião divergente de Platão e Aristóteles, São Tomas de Aquino não via a arte como imitação, ele teorizava que a Beleza é uma propriedade essencial ou ‘transcendental’ de Deus, como a Bondade e a Unidade. Obras de arte humanas deveriam inspirar às propriedades divinas maravilhosas de Deus.
Com a inserção das novas teorias de perspectiva do Renascimento, e os quadros a óleo com a sua maior capacidade de descrição e riqueza, permitiram aos artistas alcançarem ‘cópias’ cada vez mais perfeitas da natureza; mas a partir do final do século XIX, a imitação pareceu ser cada vez menos a meta de muitos gêneros de arte como: impressionismo, expressionismo, surrealismo, abstração.
Com o surgimento da fotografia, começa-se produzir arte sob uma nova perspectiva, ao invés da fiel representação do real ou do natural, começa-se a dar maior ênfase á sensibilidade individual e a visão critica do artista.
A arte digital utiliza-se de vários meios para se fazer existir, ela utiliza além das ferramentas tecnológicas, de programas de edição de imagens; utiliza fotografias de cenas comuns, de natureza, de obras de arte, de pessoas.
No conceito de mimesis onde vincula toda ação humana, expressões artísticas, e também o desenvolvimento de novas tecnologias; nesse contexto a arte virtual se enquadra no conceito uma vez que ela é produzida por meios computacionais, programas que utilizam códigos binários, uma repetição de números para a criação das imagens, e também uma maneira de o artista exteriorizar seus sentimentos.
A imitação nada mais é do que uma forma de representação do mundo como o enxergamos e imaginamos, sob uma ótica crítica, individual, carregada de significados; e não como uma mera copia de uma técnica. A arte digital apesar de criar imagens completamente novas utiliza-se de alicerces por vezes miméticos.
A arte vem mudando através dos tempos, das necessidades humanas, dos conceitos, da política e da religião. A arte sempre esteve vinculada a necessidades humanas, desde os primórdios, e hoje vemos o quanto ela influencia e dita moda, costumes e pensamento.
Nos séculos XVII e XVIII os jardins passaram a ser reconhecidos como altas realizações artísticas, sendo considerados ao lado da pintura e da poesia uma das ‘três irmãs ou graças’. Os jardins de Versalhes tinham com tema a mitologia Grega, fazendo grande referencia ao Classicismo e assim necessitando de um publico culto para apreciá-los. O projeto foi feito com o tema de Apollo o Deus do Sol em homenagem ao Rei Luis XIV, que queria ser visto como o Rei do Sol, os jardins representavam o domínio exercido pelo rei.
A Ópera de Richard Wagner, Parsifal é um conto no qual sofrer é celebrado, a ópera tem cinco horas de duração e conta uma história grandiosa sobre sedução e perda de inocência na busca do reencontro da Santa Lança com o Santo Graal. Foi uma obra muito polêmica, que atingiu a adoração e cólera dos críticos e público.
Nietzsche fez o livro “O Nascimento de Tragédia” (1872), dedicado a Wagner e falava de um renascimento da tragédia, referindo-se ao compositor. Por ai vemos a grande admiração de Nietzsche por Wagner, admiração esta que se abala quando Nietzsche faz duras criticas a Parsifal. Nietzsche considerou a música de Parsifal maravilhosa, elogiou a sua claridade, domínio psicológico e precisão; porém, rejeitou a mensagem de Parsifal como excessivamente ‘Cristã’ e considerou que o enredo era doentio e negava a vida; que não era verdadeiramente Dionisíaco. Analises posteriores consideram aspectos do mitismo ‘Ariano’ na obra de Wagner, isso fez com que fosse proibida em Israel até recentemente. 
           Andy Warhol teve um importante papel influenciando Teorias de Arte. Ele surgiu durante o movimento da ‘Pop Art’ da década de sessenta, muito ligado a moda, a cultura popular e a política. Ele deu ênfase a produtos do nosso cotidiano, dando-lhes conotação artística. Exibiu pilhas de caixas em compensado pintadas à mão na galeria Stabler de Nova Iorque em 1964. A exposição teve um grande impacto, o filósofo Arthur Danto que as discutiu questionando: “Porque era uma obra de arte quando os objetos que se assemelham exatamente a ele, pelo menos sob critérios perceptuais, são meras coisas, ou, no melhor dos casos, meros artefatos?...” O filósofo George Dickie formulou a ‘teoria institucional da arte’ (estimulado pela exposição de Warhol), na qual define arte como qualquer artefato sobre o qual se tenha conferido o status de candidato para avaliação por uma pessoa ou pessoas que agem em nome de certa instituição social. Isso quer dizer que tais obras seriam consideradas “arte” se fossem aceitas por alguma galeria, museu ou compradas por algum colecionador. Na época não foram muito aceitas e pouco vendidas.
              O que podemos ver é que a arte sempre esteve atrelada a contexto histórico, social, político, religioso e conceitual; isso faz com que belas obras sejam reprovadas por diversos preconceitos. Nos tempos antigos o artista não tinha plena liberdade de criação, com o decorrer da evolução ele ganhou mais liberdade e possibilidade de reflexão; como vemos as obras como a de Warhol abrindo portas para novas teorias da arte.
             Trabalhos como Piss Christ de Serrano em outros tempos já seriam barrados alegando ser algo não cristão; apenas porque ele utilizou urina para fazer a fotografia que por sinal é bela. Como vimos no filme “Moça com brinco de pérolas” artistas já utilizavam urina de animais para atingir determinado tom de amarelo, e não é porque Serrano utilizou sua própria urina que sua obra é menos valorativa. 
              A arte acima de tudo deve ser livre de conceitos engessados, deve fluir deixando portas abertas para o novo e para o pensamento critico; independente de política, religião, época, gênero. A teoria da arte de Danto deixa a porta aberta para todos livremente entrarem; porém alerta dizendo que considerado algo como arte, não é o mesmo que dizer que é uma boa obra de arte.
            A arte através dos tempos foi exclusividade masculina, pois mulheres não eram aceitas nas academias sendo assim impedidas de estudar arte. Algumas mulheres artistas que vemos em livros de Teoria da Arte foram inseridas num período posterior e eram geralmente parentes de artistas o que as fez desenvolver estudos artísticos e talento.
            Uma das mulheres que contribuiu para o lançamento do movimento feminista em 1979 foi Judy Chicago agiu agressivamente como fêmea em “O Jantar”, onde uma mesa triangular de jantar celebra mulheres proeminentes com pratos com imagens vagínicas de frutas e flores; uma obra que gerou grande polemica ate mesmo entre algumas feministas.
            Em 1985 em Nova Iorque surge um grupo de feministas, as Guerrilha Girls (G-Girls) para protestar contra o seixismo na arte, usando o humor como forma de protesto, as G-Girls fizeram cartazes com indagações como “As mulheres tem que estar nuas para entrar no Museu de arte?”. As ‘G-Girls’ publicaram sua própria história da arte, “O Livro de Cabeceira das Guerrilha Girls para a História da Arte Ocidental” (1998); abordam de modo satírico, que mais mulheres deveriam ser incluídas nas histórias padrão da arte e em museus.           
            A arte digital vem sendo desenvolvida e produzida por artistas do mundo todo, de todas as idades; e de todos os gêneros: (homens, mulheres, gays, lésbicas...) vem suprir necessidades da sociedade atual como a possibilidade de se gerar fontes alternativas de renda; diversão por meio da criação; possibilidade de divulgação do trabalho ou idéia, sem precisar passar pela aprovação de críticos de arte ou diretores de galerias; é muito utilizada para decoração de web ambientes e ambientes reais; é muito utilizada na propaganda, na moda, na televisão.
            Nessa nova linguagem artística há espaço para todos, homens, mulheres, pois a arte nunca foi tão acessível, possível, acolhedora, livre de preconceitos. Infelizmente, não são todos que estão incluídos nesse universo de possibilidade digital, muitos ainda não tem acesso, e acabam ficando de fora. Nós estudantes de arte devemos promover o desenvolvimento e acolhimento de artistas de todos os gêneros, para cada vez mais poder, com seu desenvolvimento atender as necessidades sociais e pessoais dos artistas e da sociedade.
            A arte digital vem reavivando culturas que já estariam esquecidas, culturas que são o berço de nossa civilização, mas que com o passar dos anos vão se perdendo, deixando de lado suas crenças, costumes e idéias.
            Nossa cultura brasileira era totalmente influenciada pela cultura estrangeira, nas artes, era influenciada pela Europa; no cinema e na televisão, influenciada pela cultura norte-americana. Mas hoje cresce muito o numero de artistas brasileiros e formas de arte, e hoje nossa cultura brasileira vem também influenciar outros povos. Vemos isso nas novelas, que hoje é a numero um do mundo, com artistas de grandes talentos, escritores e designers gráficos, que dão um verdadeiro show nas aberturas.
            Não é só na televisão que vemos o desenvolvimento do mercado de arte, na internet é crescente o numero de artistas anônimos, que desenvolvem sua arte, fazendo provocações, resgatando culturas, deixando questionamentos e promovendo assim o pensamento e o desenvolvimento de todo país.
            Para o país crescer, é importante que se preze a educação, o desenvolvimento da tecnologia, a acessibilidade para todos, para todas as pessoas poderem se expressar, poderem conhecer as maravilhas do mundo e se auto conhecer, promovendo assim o desenvolvimento e o resgate cultura, preservando seus valores e descobrindo a cada dia um novo e possível universo. 
Texto escrito por Renata Peixoto de Castro Rodrigues
      
Referências Bibliográficas e fontes de pesquisa na rede:
Introdução – GOMBRICH
http://industrias-culturais.blogspot.com/2004/02/arte-digital-e-ciberntica-histria.html
http://www.grandearte.art.br/grandearte/arte_ritual.html
Teoria da Arte (capítulos I, II e V) de Cynthia Freeland 
MíMESis  ou MIMESE de Carlos Ceia.